ENADE 2021 — Questão 31 · Filosofia contemporânea
Filosofia contemporânea
ENADE · Filosofia
Doenças neuronais como a depressão, transtorno de déficit de atenção com síndrome de hiperatividade, transtorno de personalidade limítrofe ou a Síndrome de Burnout determinam a paisagem patológica do começo do século XXI. Não são infecções, mas infartos provocados não pela negatividade de algo imunologicamente diverso, mas pelo excesso de positividade. Assim, eles escapam a qualquer técnica imunológica, que tem a função de afastar a negatividade daquilo que é estranho.
A dialética da negatividade é o traço fundamental da imunidade. O imunologicamente outro é o negativo, que penetra no próprio e procura negá-lo. Nessa negatividade dos outros o próprio sucumbe, quando não consegue, de seu lado, negar àquele. O próprio afirma-se no outro, negando a negatividade do outro. Também a profilaxia imunológica, portanto a vacinação, segue a dialética da negatividade. Introduz-se no próprio apenas fragmentos dos outros para provocar a imunorreação. Nesse caso, a negação da negação ocorre sem perigo de vida, visto que a defesa imunológica não é confrontada com o outro, ele mesmo. Deliberadamente, faz-se um pouco de autoviolência para proteger-se de uma violência ainda maior, que seria mortal. O desaparecimento da alteridade significa que vivemos numa época pobre de negatividades. É bem verdade que os adoecimentos neuronais do século XXI seguem, por seu turno, sua dialética, não a dialética da negatividade, mas da positividade. São estados patológicos devidos a um exagero de positividade.
HAN, B. Sociedade do cansaço. Trad. de Enio Paulo Giachini. Petrópolis, RJ: Vozes, 2017, p. 13-14 (adaptado).
À luz do pensamento de Byung-Chul Han, avalie as afirmações a seguir.
I. A negatividade enfraquece a constituição da identidade mediante o confronto com a alteridade, pois o si mesmo somente se constitui mediante a imunização.
II. As doenças neuronais do século XXI se constituem como modelos do excesso de positividade, pois sem o negativo, não há a possibilidade de escape para fora do mesmo.
III. A dialética da negatividade mostra a constituição da identidade na relação com a alteridade, pois sem o outro o si mesmo não se constitui e, no excesso de positividade, que é o mesmo, a identidade tende a desaparecer.
IV. A dialética da negatividade mostra-se como uma ação de fuga para o mesmo, pois implica o desdobramento da positividade em mais do mesmo.
É correto apenas o que se afirma em
Alternativas
- A
I e II.
- B
II e III.
- C
III e IV.
- D
I, II e IV.
- E
I, III e IV.
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Fonte: ENADE