Prefeitura de Ji-Paraná 2018 — Questão 57 · Uso dos dois-pontos
Uso dos dois-pontos
Prefeitura de Ji-Paraná · Português
Texto para responder às questões de 53 a 60.
Escrever
Eu disse uma vez que escrever é uma maldição. Não me lembro por que exatamente eu o disse, e com sinceridade. Hoje repito: é uma maldição, mas uma maldição que salva.
Não estou me referindo muito a escrever para jornal. Mas escrever aquilo que eventualmente pode se transformar num conto ou num romance. É uma maldição porque obriga e arrasta como um vício penoso do qual é quase impossível se livrar, pois nada o substitui. E é uma salvação.
Salva a alma presa, salva a pessoa que se sente inútil, salva o dia que se vive e que nunca se entende a menos que se escreva. Escrever é procurar entender, é procurar reproduzir o irreproduzível, é sentir até o último fim o sentimento que permaneceria apenas vago e sufocador. Escrever é também abençoar uma vida que não foi abençoada.
Que pena que só sei escrever quando espontaneamente a “coisa” vem. Fico assim à mercê do tempo. E, entre um verdadeiro escrever e outro, podem-se passar anos.
Me lembro agora com saudade da dor de escrever livros.
Clarice Lispector. A descoberta do mundo, 1999. (Adaptado)
Em "Hoje repito: é uma maldição, mas uma maldição que salva.” os dois-pontos:
Alternativas
- A
especificam, de forma enumerativa, uma informação.
- B
reproduzem o discurso direto, suprimido a fala de algum personagem.
- C
denotam uma interrupção voluntária para delimitar o discurso alheio.
- D
isolam um comentário a fim de concluir um discurso incompleto.
- E
marcam uma suspensão do discurso a que se segue uma informação a título de reafirmação do discurso.
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Fonte: Prefeitura de Ji-Paraná