Universidade Estadual Paulista Júlio de 2017 — Questão 12 · Interpretação de Texto
Interpretação de Texto
Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho · Português
Leia o texto para responder às questões de números 12 a 14.
Carta a Beatriz
Cara Beatriz: na última terça (8) você escreveu aqui pro jornal se dizendo espantada com a minha crônica de domingo (6); “após uma semana de fatos surpreendentes na política”, “num momento tão importante para uma boa análise”, um de seus “colunistas preferidos” havia se saído com um texto “bobo e sem propósito”.
Fico feliz por me citar entre seus “colunistas preferidos”, mas me pergunto se o elogio foi sincero ou só uma gentileza. Afinal, quase toda semana o Brasil nos brinda com “fatos surpreendentes na política” e quase todo domingo, em vez de uma “boa análise”, publico textos que poderiam ser considerados bobos e sem propósito.
Não o faço por desvio de caráter nem para irritá-la, Beatriz, mas por dever de ofício. O cronista é um cara pago para lubrificar as engrenagens do maquinário noticioso com um pouco de graça, de despropósito e – vá lá, por que não? – de bobagem. Minha função é lembrar o leitor desolado entre bombas na Síria, tiros na Rocinha e patacoadas em Brasília que este mundo também comporta mangas maduras, Monty Python, Pixinguinha.
O Rubem Braga atravessou duas ditaduras e seu maior libelo à liberdade não é um texto contra o pau de arara, mas uma carta/crônica ao vizinho que havia reclamado do barulho.
Lamento, Beatriz, mas atualmente a única “boa análise” que tenho sido capaz de fazer é às quintas, 15h, deitado num divã na rua Apiacás – e nem sempre é assim tão boa.
Um abraço,
(Antonio Prata. Folha de S.Paulo, 13.03.2016. Adaptado)
Em sua resposta à leitora, o autor deixa claro que o papel do cronista é
Alternativas
- A
traduzir em linguagem jornalística o que adquire de experiência no divã do analista.
- B
mostrar aos leitores que assuntos cruéis do cotidiano coexistem com amenidades.
- C
romper com os interesses do jornal e dos leitores, sendo livre a sua expressão.
- D
atender plenamente os interesses dos leitores do jornal sem questioná-los.
- E
articular temas de extrema violência aos temas mais agradáveis do cotidiano.
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Fonte: Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho