CMF 2017 — Questão 2 · Pressupostos e subentendidos

Pressupostos e subentendidos

CMF · Português

TEXTO 1

O guardião das chaves


  1. Bum! Bateram outra vez. Duda acordou assustado.
  2. — Onde está o canhão? — perguntou abobado.
  3. Ouviam coisa cair atrás deles e tio Válter entrou derrapando pela sala. Trazia um rifle nas
  4. mãos — agora sabiam o que era aquele pacote fino e comprido que ele carregava.
  5. — Quem está ai? — gritou. — Olha que estou armado!
  6. Silêncio. E em seguida...
  7. TRAM!
  8. A porta levou uma pancada tão violenta que se soltou das dobradiças e, com um baque
  9. ensurdecedor, desabou no chão.
  10. Um homem gigantesco estava parado ao portal. Tinha o rosto completamente oculto por uma
  11. juba muito peluda e uma barba selvagem e desgrenhada, mas dava para se ver seus olhos, luzindo
  12. como besouros negros debaixo de todo aquele cabelo.
  13. O gigante espremeu-se para entrar no casebre, curvando-se de modo que a cabeça apenas
  14. roçou o teto. Abaixou-se, apanhou a porta e tornou a encaixá-la sem esforço no portal. O ruído da
  15. tempestade lá fora diminuiu um pouco. Ele se virou para encarar todos.
  16. — Não poderia preparar uma xícara de chá para nós, poderia? Não foi uma viagem fácil...
  17. E dirigiu-se ao sofá onde Duda estava paralisado de medo.
  18. — Chegue para lá, gordão — disse o estranho.
  19. Duda soltou um guincho e correu a se esconder atrás da mãe, que parara encolhida,
  20. aterrorizada, atrás de tio Válter.
  21. — Ah, e aqui está o Harry! — disse o gigante.
  22. Harry ergueu os olhos para a cara feroz e selvagem em sombras e viu que os olhos de besouro
  23. se enrugavam em um sorriso.
  24. — A última vez que o vi, você era um bebê — disse o gigante. — Você parece muito com o
  25. seu pai, mas tem os olhos da sua mãe.
  26. Tio Válter fez um som estranho e rascante.
  27. — Exijo que saia imediatamente! — disse — O senhor invadiu minha casa!
  28. — Ah, cala a boca, Dursley, seu cara de passa — disse o gigante; esticou o braço para trás do
  29. sofá e arrancou a arma das mãos de tio Válter, vergou-a no meio como se ela fosse de borracha e
  30. atirou-a a um canto da sala.
  31. Tio Válter fez outro som esquisito, como um camundongo sendo pisado.
  32. — Em todo caso, Harry — disse o gigante, dando as costas para os Dursley —, feliz
  33. aniversário para você. Tenho uma coisa para você aqui; talvez tenha sentado nela sem querer, mas
  34. o gosto continua bom.
  35. De um bolso interno do casaco preto, ele tirou uma caixa meio amassada. Harry abriu-a, com
  36. os dedos trêmulos. Dentro havia um grande e pegajoso bolo de chocolate com a frase Feliz
  37. Aniversário escrita em glacê verde.
  38. Harry olhou para o gigante. Quis dizer obrigado, mas as palavras se perderam a caminho da
  39. boca, e em lugar disso o que disse foi:
  40. — Quem é você?
  41. O gigante deu uma risada abafada.
  42. — É verdade, não me apresentei. Rúbeo Hagrid, Guardião das Chaves e das Terras de
  43. Hogwarts.
  44. [...]
  45. — Me chame de Rúbeo, é como todos me chamam. E como lhe disse, sou o guardião das
  46. chaves de Hogwarts, você sabe tudo sobre Hogwarts, é claro.
  47. — Ah, não — disse Harry.
  48. Hagrid pareceu chocado.
  49. — Sinto muito — apressou-se Harry a dizer.
  50. — Sente muito? — vociferou Hagrid, virando-se para encarar os Dursley, que tinham recuado
  51. para as sombras. — Eles é que deviam sentir muito! Eu sabia que você não estava recebendo as
  52. cartas, mas nunca pensei que nem ao menos sabia da existência de Hogwarts, para apelar! Você
  53. nunca se perguntou onde foi que seus pais aprenderam tudo?
  54. — Tudo o quê? — perguntou Harry.
  55. — TUDO O QUÊ? — berrou Hagrid. — Ora, espere aí um segundo!
  56. Ele se levantara de um salto. Na raiva parecia encher o casebre todo. Os Dursley se encolhiam
  57. contra a parede.
  58. — Vocês vão querer me dizer — rosnou para os Dursley — que este menino, este menino!,
  59. não sabe nada, de NADA?
  60. Harry achou que a coisa estava indo longe demais. Afinal tinha frequentado a escola e suas
  61. notas não eram ruins.
  62. — Eu sei alguma coisa — falou. — Sei, sabe, matemática e outras coisas.
  63. Mas Hagrid dispensou-o com um abano de mão e disse:
  64. — Do nosso mundo, quero dizer. Seu mundo. Meu mundo. O mundo dos seus pais.
  65. — Que mundo?
  66. Hagrid parecia prestes a explodir.
  67. [...]
  68. — Você nunca contou? Nunca contou o que Dumbledore deixou escrito naquela carta para
  69. ele? Eu estava lá! Eu vi Dumbledore deixar a carta, Dursley! E você escondeu dele todos esses anos?
  70. — Escondeu o quê de mim? — perguntou Harry, ansioso.
  71. — PARE! EU O PROÍBO! — gritou tio Válter em pânico.
  72. Tia Petúnia deixou escapar um grito sufocado de horror.
  73. — Ah, vão tomar banho, vocês dois — disse Hagrid. — Harry, você é um bruxo.
  74. O casebre mergulhou em silêncio. Ouviam-se apenas o mar e o assobio do vento.
  75. — Eu sou o quê? — ofegou Harry.
  76. — Um bruxo, é claro — repetiu Hagrid, recostando-se no sofá, que gemeu e afundou ainda
  77. mais —, e um bruxo de primeira, eu diria, depois que receber um pequeno treino. Com uma mãe e
  78. um pai como os seus, o que mais você poderia ser? E acho que já está na hora de ler a sua carta.


ROWLING, J. K. Harry Potter e a pedra filosofal.

Rio de Janeiro: Rocco, 2000, p. 39-43.

Segundo o Texto 1, Harry Potter

Alternativas

  1. A

    estuda em Hogwarts.

  2. B

    conhece Hogwarts muito bem.

  3. C

    sempre soube sobre Hogwarts.

  4. D

    foi informado cedo sobre Hogwarts.

  5. E

    não tem informações sobre Hogwarts.

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Fonte: CMF

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