UFU 2015 — Questão 41 · Literatura
Literatura
UFU 2015 · Português
Texto de apoio
O leitor brasileiro que porventura entrar em contato com a arte de Guimarães
Rosa através de Primeiras Estórias inevitavelmente haverá de experimentar
um choque, devido à agressiva novidade de estilo, à qual os leitores antigos do
autor se vêm habituando progressivamente (falamos no leitor brasileiro, porque
o estrangeiro, que a conhecer através da tradução, terá forçosamente sob os
olhos um texto atenuado e filtrado, adaptado pelo tradutor aos padrões
existentes da língua acolhedora).
Lembre-se de que o autor fez sua aparição na literatura como escritor
regionalista. Não adotara, porém, nenhuma das três técnicas à disposição do
regionalismo: servir-se da linguagem regional indistintamente em todo o livro,
restringi-la à fala das personagens, ou substituí-la integralmente por uma
linguagem literária, convencional. A quarta solução, adotada por ele, consistia
em deixar as formas, rodeios e processos da língua popular infiltrarem o estilo
expositivo e as da língua elaborada embeber a linguagem dos figurantes. Disse
língua elaborada e não culta: Guimarães Rosa, conhecedor dos mais
profundos do idioma, não se satisfaz em explorar-lhe todo o tesouro registrado
e codificado, mas submete-o a uma experimentação incessante, para testar-lhe
flexibilidade. Daí um estilo personalíssimo, que das obras de caráter
regionalístico se alastrou por toda obra de ficção de nosso autor, e até por suas
raras produções ensaísticas. [...]
RÓNAI, Paulo. Os vastos espaços. In: ROSA, João Guimarães. Primeiras Estórias. 4a ed., Rio de
Janeiro: José Olympio, 1968, p. Xl-XlI. (Fragmento)
A Possêidon
Dádivas colhi do mar e a Possêidon, meu canto.
Se a terra adormece e estéril é seu repouso,
Avanças, poderoso! O fundamento das coisas estremece,
Rochedos fendem-se, crispa-se o arvoredo. Mais que os ventos,
Impões o fluxo e a mudança. Lampejos da aurora se acendem
No poente. Move meu canto, move a Terra num bramido,
Touro do Mar, e um novo reino instaura, dissolvendo
Nas águas a impureza dos feitos. Acenda-se o olhar humano
Em chama renovada e às almas de luz os corpos se reúnam!
SILVA, Dora Ferreira. Hídrias. São Paulo: Odysseus, 2004.p.48.
De acordo com a leitura do poema acima, assinale a alternativa correta.
O leitor brasileiro que porventura entrar em contato com a arte de Guimarães
Rosa através de Primeiras Estórias inevitavelmente haverá de experimentar
um choque, devido à agressiva novidade de estilo, à qual os leitores antigos do
autor se vêm habituando progressivamente (falamos no leitor brasileiro, porque
o estrangeiro, que a conhecer através da tradução, terá forçosamente sob os
olhos um texto atenuado e filtrado, adaptado pelo tradutor aos padrões
existentes da língua acolhedora).
Lembre-se de que o autor fez sua aparição na literatura como escritor
regionalista. Não adotara, porém, nenhuma das três técnicas à disposição do
regionalismo: servir-se da linguagem regional indistintamente em todo o livro,
restringi-la à fala das personagens, ou substituí-la integralmente por uma
linguagem literária, convencional. A quarta solução, adotada por ele, consistia
em deixar as formas, rodeios e processos da língua popular infiltrarem o estilo
expositivo e as da língua elaborada embeber a linguagem dos figurantes. Disse
língua elaborada e não culta: Guimarães Rosa, conhecedor dos mais
profundos do idioma, não se satisfaz em explorar-lhe todo o tesouro registrado
e codificado, mas submete-o a uma experimentação incessante, para testar-lhe
flexibilidade. Daí um estilo personalíssimo, que das obras de caráter
regionalístico se alastrou por toda obra de ficção de nosso autor, e até por suas
raras produções ensaísticas. [...]
RÓNAI, Paulo. Os vastos espaços. In: ROSA, João Guimarães. Primeiras Estórias. 4a ed., Rio de
Janeiro: José Olympio, 1968, p. Xl-XlI. (Fragmento)
A Possêidon
Dádivas colhi do mar e a Possêidon, meu canto.
Se a terra adormece e estéril é seu repouso,
Avanças, poderoso! O fundamento das coisas estremece,
Rochedos fendem-se, crispa-se o arvoredo. Mais que os ventos,
Impões o fluxo e a mudança. Lampejos da aurora se acendem
No poente. Move meu canto, move a Terra num bramido,
Touro do Mar, e um novo reino instaura, dissolvendo
Nas águas a impureza dos feitos. Acenda-se o olhar humano
Em chama renovada e às almas de luz os corpos se reúnam!
SILVA, Dora Ferreira. Hídrias. São Paulo: Odysseus, 2004.p.48.
De acordo com a leitura do poema acima, assinale a alternativa correta.
Alternativas
- APossêidon, rei dos mares, cuja principal característica é a estagnação, com seu rugido estridente, instaura um novo reino na terra, lavando com suas águas impuras tanto as árvores como os rochedos.
- BA expressão “Touro do mar” é metáfora da exuberância e da fertilidade deste deus das águas, que com seu caráter imutável, fecundava tanto a terra infrutífera como os oceanos estéreis.
- CAo retratar de forma irônica e paródica as habilidades desproporcionais de Possêidon, a poeta mantém o discurso jocoso que perpassa todos os outros poemas da obra Hídrias.
- DO poema dialoga com o título da obra, Hídrias, ao enfocar Possêidon, violento rei das águas e dos oceanos, também conhecido como Netuno, o qual tinha o poder de provocar a instabilidade nos mares.
Consulte a resposta
Visitantes podem consultar seis questões. Com uma conta gratuita, consulte até 20 por dia; no plano pago, todas sem limite.
Fonte: UFU 2015