ENEM 2016 — Questão 112 · Literatura

Literatura

ENEM 2016 · Português

Galinha cega O dono correu atrás de sua branquinha, agarrou-a, lhe examinou os olhos. Estavam direitinhos, graças a Deus, e muito pretos. Soltou-a no terreiro e lhe atirou mais milho. A galinha continuou a bicar o chão desorientada.

Atirou ainda mais, com paciência, até que ela se fartasse.

Mas não conseguiu com o gasto de milho, de que as outras se aproveitaram, atinar com a origem daquela desorientação. Que é que seria aquilo, meu Deus do céu? Se fosse efeito de uma pedrada na cabeça e se soubesse quem havia mandado a pedra, algum moleque da vizinhança, aí... Nem por sombra imaginou que era a cegueira irremediável que principiava.

Também a galinha, coitada, não compreendia nada, absolutamente nada daquilo. Por que não vinham mais os dias luminosos em que procurava a sombra das pitangueiras? Sentia ainda o calor do sol, mas tudo quase sempre tão escuro. Quase que já não sabia onde é que estava a luz, onde é que estava a sombra.

GUIMARAENS, J. A. Contos e novelas. Rio de Janeiro: Imago, 1976 (fragmento).

Ao apresentar uma cena em que um menino atira milho às galinhas e observa com atenção uma delas, o narrador explora um recurso que conduz a uma expressividade fundamentada na
Figura da questão

Alternativas

  1. A
    captura de elementos da vida rural, de feições peculiares.
  2. B
    caracterização de um quintal de sítio, espaço de descobertas.
  3. C
    confusão intencional da marcação do tempo, centrado na infância.
  4. D
    apropriação de diferentes pontos de vista, incorporados afetivamente.
  5. E
    fragmentação do conflito gerador, distendido como apoio à emotividade.

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Fonte: ENEM 2016

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